José Benício

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Contos Infantis

Textos

O menino e os peixinhos do rio

Jogar pedrinhas na água
Era o que mais o distraía
Dava risadas gostosas
Cada vez que a pedra fazia “Tibum!!!!!”
Ali passava horas
Seus problemas eram quase nenhuns.

Sem se lembrar da vida
Eram pedras pequenas
Não queria assustar os peixes
Que mesmo assim amedrontados
Se escondiam nas margens
E conversavam na linguagem dos peixes:
- Lá vem esse menino
- Lá vem as pedradas!
O menino não desconfiava
O que o seu lazer causava

Até que um dos peixes do rio
Valente quis se fazer entender
Pulou, pulou bem na frente
Do menino ainda inocente
Que parou assustado para ver

A cada pulo do peixe
Uma risada do menino
Que sem entender direito
Achava tudo perfeito:
- Eu jogo a pedra e o peixe pula!
- Eles gostam da brincadeira!

Correu e pegou mais umas pedras
Ao voltar tomou um susto daqueles:
Os peixes todos nas margens
Fazendo cara de repreensão:
- Não jogue mais pedras menino!
(Tudo na língua dos peixes)
Mas não é que o menino entendeu!
Ficou paradinho e sem graça
As pedras atrás do corpo escondeu

Desde então o menino
Passou a ser um defensor
Das margens, do rio e dos peixes
Não deixava que alguém
Jogasse pedra, que se atrevesse.

Os peixinhos passaram a nadar
Cada vez mais sossegados
Nada como nadar sem se preocupar
Com as chatas pedras na água ameaçando
E uma amizade pra sempre foi selada
Entre o menino, os peixinhos e a meninada!

Lili, a minhoquinha que queria usar saia.

Lili era a minhoca mais animada no meio da “minhocada” lá no meu quintal.
Lili tinha um sonho nada normal, queria usar saia pra ser o diferencial.
Afinal minhoca de saia não seria nada banal.
Lili pedia pra sua mãe:
- Mãezinha me faça uma saia!
A mãe de Lili desconversava:
- Menina vá brincar no quintal!
Lili não se conformava
Para sua tia apelava:
- Tia querida, faz uma saia pra mim?
A tia muito ocupada, dizia meio assustada:
- Lili, saia minhoca não usa!
- Portanto vá brincar e não abusa.
Lili já inconformada lembrou-se de sonhar com sua fada
Só mesmo ela poderia ouvir seus anseios
- Vou sonhar com a minha fada madrinha
- Ela tem uma varinha, vai me atender.
E assim aconteceu
Lili foi dormir muito cedo
Nem esperou o jantar
Rezou ajoelhada na cama
E o sono logo se fez chegar.
No sonho a fada madrinha, linda! Cheia de estrelinhas, desceu e pousou devagar.
- O que quer jovem minhoquinha?
Peça logo pra sua madrinha, ela precisa trabalhar!
Aí mais que depressa, Lili deu um pulo no chão.
- Que bom minha fada madrinha, por isso você é minha, te amo de coração!
- Não faça rodeios menina!
Disse a fada madrinha com pressa em sair do sonho da Lili.
Então Lili toda prosa, pegou um botão de rosa e fez o pedido fatal:
- Eu quero usar saia! Não vejo nada de mal
A fada madrinha por essa não esperava, como uma minhoquinha poderia ser tão vaidosa?
Não teve jeito e como era um sonho bem especial, não hesitou e girou a varinha:
PLUFT, lá vai a sainha vestir a Lili minhoquinha, para alegria geral.
No dia seguinte, o meu quintal parecia uma confusão danada.
Estava a Lili minhoquinha, de saia bem vermelhinha a desfilar saltitante:
As minhocas mais velhas, fingiam não reparar.
Já as minhocas novinhas, pulavam, não se continham e gritavam:
- Lili você é demais! Me empresta essa sainha?
Lili já nem ouvia, o que mais queria era desfilar.
O que ninguém percebia era a chegada da galinha, parada a espreitar:
- O que seria isso? Minhoca de saia e tão apetitosa?
- Nunca vi alguém tão vaidosa, será que vou avançar?
As outras minhocas ao verem o perigo chegar.
Correram e gritaram:
- Corram todas, olhem a galinha! Cuidado Lili!
Mas Lili não se importava, pois estava curtindo seu sonho realizado.
Ficou bem perto da galinha, que a olhou como quem no papo já a tinha.
Mas Lili deu de ombros e esnobou a galinácea gulosa:
- Oi dona galinha, gostou da minha saia vermelhinha?
A galinha gaguejou sem acreditar no que ouvia
- Como pode essa tal criaturinha ser assim tão corajosa?
E sem que ninguém notasse, ciscou cinco vezes antes de sair de fininho, sem atacar a Lili, que toda prosa continuou seu desfile triunfal.
Como era linda essa Lili minhoquinha lá no meu quintal!

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